Psicoderme

Sunday, September 28, 2008

Quanto tempo!


Finalmente consigo achar um tempinho para sentar e escrever. Na verdade, o que está tão difícil não é só achar tempo livre - tá bem complicado encontrar momentos em que eu esteja disposto a gastar umas duas horas sentado escrevendo.
Realmente estou com saudades da época em que eu escrevia todo santo dia... Acho que esse hábito era extremamente saudável. Mas me gastava muito tempo e hoje não posso gastar nem um segundo sequer.
Está impressionante, eu acho que eu não tenho parado durante esses últimos tempos. SEMPRE tem alguma coisa me martelando dentro da cabeça, sempre tem algum compromisso, alguma tarefa, alguma pendência...
Sério, eu sei que eu gosto pra caramba desse ritmo acelerado e tudo mais, mas essas duas últimas semanas têm sido BEM pesadas. Ainda mais que os meus dois últimos fins de semana (incluindo esse agora) foram usados para ensaio da minha peça de teatro. E FODA-SE, falei "minha peça" mesmo. Não, eu não escrevi, não eu não idealizei, mas foda-se. Chamo-a de minha e acabou.
Tenho muitas coisas a descobrir ainda. Tenho quilômetros a andar nos sapatos de Stanley e de Blanche.
Mas acho que isso fica pra outra hora. Na verdade, fica para aqueles que conseguirem ir assistir a peça: a estréia será dia 8 de Outubro. FALTAM DEZ DIAS, CACETE!!!
Mas têm outras coisas...
Existem outras coisas dentro de mim que têm se remexido nessas últimas semanas... Coisas que nem consigo definir exatamente, mas sei em qual direção elas me apontam: o oriente.
Desde criança sentia uma grande admiração e uma curiosidade profundidíssima em relação ao Japão. Durante o colegial, estudei a língua japonesa na Aliança Cultural Brasil Japão, mas parei com a desculpa de que eu precisava focar meus estudos no vestibular - grande mentira, acho que na época eu simplesmente não estava conseguido me dedicar quanto as aulas requeriam e eu acabei ficando pra trás, tanto é que repeti um dos módulos.
Retomei as aulas de japonês no meu segundo semestre na faculdade, mas fiz só por um semeste. Dessa vez parei por que eu estava REALMENTE com medo da interferência entre o japonês e a própria faculdade, pois no fim desse tal semestre acabei ficando com DP em METADE das matérias que eu estava cursando. Claro que havia outros fatores: eu não fazia atividade extra nenhuma antes e naquele semestre entrei no teatro (GTP), comecei a dar aulas de inglês no CCAA, comecei a dar aulas de biologia pra uma amiga, entrei pro curso de japonês e entrei na Rateria - isso pra não mencionar que era um dos semestres mais escrotos do curso de Engenharia. Agora junta todas essas coisas com alguém que não sabia organizar o próprio tempo.
Deu no que deu.
Hoje, ainda bem, eu já sei administrar as coisas. Pelo menos um pouco.
Estou com vontade de mudar de assunto. Quem sabe depois eu volte. Foda-se.
Voltei.
Acho que na verdade o que eu quero fazer é só sumir. Estar numa situação completamente oposta. Distante.
Tenho impressão de que isso vai me ajudar a crescer. Ficar fora do conforto, longe do conhecido.
E também, quase todo mundo já foi ou tá indo. Não posso perder a minha chance também.

Pois é, eu sou sensível. Mais sensível do que a média, entendo isso perfeitamente. Mas o que me entristece é eu perceber que estou endurecendo. Acho que estou perdendo um lado emotivo meu. Não gosto nem um pouco disso. Nem um pouco.
Acho que estou caindo demais no vulgar.
Acho que essa minha rotina absurdamente atarefada e regrada tem me retirado essa liberdade sensível-artística. Um simples exemplo é o que eu disse aqui nesse mesmo posto mais cedo: perdi o hábito de escrever com freqüência!

Sei que isso vai parecer estranho, mas tenho me sentido muito sozinho.
Tenho sempre várias pessoas ao meu redor - não são pessoas que me faltam. É algo diferente. Simplesmente falta algo. Como agora, por exemplo.
Tá faltando.
Não sei o que fazer com essa sensação.
Às vezes só dá uma vontade absurda de ligar pras pessoas pra ouvir elas falarem. Ouvir que tem alguém com saudades. Ou talvez encontrar com alguém e sentir aquele abraço de "Nossa, quanto tempo!"
Como agora, por exemplo.
É foda. Da minha família direta, tem gente no Brasil (Pai), na Suíça (Mãe), no Canadá (irmão mais velho) e na Hungria (irmão do meio). E eu estou correndo atrás de absolutamente TODAS as oportunidades para ir pro Japão.
"Nossa, que família internacional! Hahahaha."
Ha.
Não é tão engraçado. Nem tão divertido.
O foda não é só a minha família também. São as milhares de pessoas que entram e saem da minha vida (eu ia falar "da NOSSA vida", mas FODA-SE, aqui eu sou EGOCÊNTRICO E FALO DE MIM MESMO, caralho). Realmente odeio isso. Odeio esse ir e vir.
Chega. Chega das pessoas irem embora. JÁ DEU, PORRA.

Quer me fazer um favor? Mas um favorzão mesmo? Daqueles que eu não vou esquecer?
É simples: não some.

Tenho me sentido bastante sozinho.
Realmente é bem estranho.
Mas acho que agora não tenho tempo pra ficar gastando com esses sentimentos.
Tenho coisas pra fazer, lugares pra ir e papéis a preencher.

O que é que eu estou fazendo? Pra onde eu vou, heim?

Acho que algum dia eu descubro. Talvez.


Imagem de bratan
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